Blog

Arquitetura para todos: projetos comunitários que transformam cidades

Em um país marcado pela desigualdade como o Brasil, onde a moradia digna ainda é um desafio para muitos, a arquitetura social surge como resposta. Afinal, trata-se de um campo da arquitetura que não se limita apenas a oferecer abrigos, mas também busca criar espaços que promovam uma relação saudável entre as pessoas e suas cidades. 

Através de uma visão inclusiva e participativa, arquitetos ao redor do mundo têm desenvolvido projetos que não só transformam ambientes, mas também fortalecem comunidades.

No texto de hoje, vamos conhecer alguns destes projetos, a fim de inspirar arquitetos e profissionais do urbanismo a fazerem uso e abraçarem a arquitetura social como um de seus propósitos.

A importância da arquitetura social

A arquitetura social tem como foco o planejamento e construção de moradias para a população de baixa renda, sempre priorizando a funcionalidade e a sustentabilidade sobre a estética. 

No Brasil, inclusive, a Lei Federal 11.888/2008 assegura às famílias de baixa renda o direito à assistência técnica pública e gratuita para projetos e construções de habitação de interesse social. Com isso, este direito, garantido pela Constituição, tem como objetivo tornar a arquitetura algo acessível e democrático, e não um luxo inacessível para a maioria.

A arquitetura social, assim, deve ser vista como um direito de todos os cidadãos. Essa abordagem também evita que a população de baixa renda recorra à autoconstrução, muitas vezes colocando em risco suas próprias vidas devido à falta de conhecimento técnico adequado.

Em resumo: trata-se de uma visão de arquitetura que vai além da estética, buscando a viabilidade e sustentabilidade dos projetos, além de considerar aspectos como o uso de materiais locais, a adequação às condições do terreno e a disponibilidade de mão de obra. 

A arquitetura participativa como ferramenta de transformação

Em meio a tudo isso, existem aqueles que chamamos de projetos participativos, baseados não apenas em múltiplos talentos, mas também no conhecimento, habilidades e opiniões de toda a comunidade.

Dessa forma, o projeto se torna mais adequado às necessidades daqueles que farão uso dele, sendo projetado para se adequar a um contexto local e social. 

Esse tipo de metodologia acaba sendo aplicada em diferentes escalas da arquitetura, desde casas e escritórios até espaços públicos. A partir dessa colaboração, é possível ter uma compreensão mais profunda do projeto, e do seu valor para aquela comunidade.

Exemplos de projetos participativos ao redor do mundo

Edifício La Borda, Barcelona, Espanha

Foto: Archdaily

O Edifício La Borda, em Barcelona, é um exemplo notável de cooperativa habitacional e arquitetura social. Nele, futuros residentes participam ativamente do processo de design e decisões operacionais.

O edifício é um arranha-céus de madeira com 28 unidades habitacionais e 280m² de espaço comunitário, que não só oferece moradia, mas também integra espaços de lazer, bicicletários e lavanderias, promovendo a interação e o senso de comunidade entre os moradores.

A iniciativa teve como objetivo revitalizar o bairro industrial de Sants e enfrentar os desafios habitacionais de La Borda. 

A ideia é que os próprios usuários possam participar das decisões sobre o projeto, operação e necessidades legais e de infraestrutura do edifício. Dessa forma, por meio de consultas contínuas, workshops e debates com os moradores, os arquitetos desenvolveram um projeto que não só atende às necessidades dos residentes, mas também promove uma relação saudável e dinâmica entre as pessoas e o bairro. 

Pinotepa Nacional, no México

Foto: Archdaily

Na Habitação Social Pinotepa Nacional, no México, um projeto de habitação social exemplifica a integração da comunidade no processo de design. 

As casas para 38 famílias foram projetadas com base em entrevistas que captaram as necessidades e tradições locais. Já a utilização de materiais e técnicas de construção locais não só respeita o contexto rural, mas também fortalece o sentimento de pertencimento entre os moradores.

Através do conceito do design participativo, os arquitetos também entrevistaram moradores para compreender como seria sua casa ideal, coletando perspectivas sobre seus estilos de vida e tradições que desejam manter. 

Projeto de requalificação da Favela de Sanjaynagar, na Índia

Foto: Archdaily

Um projeto de requalificação da favela de Sanjaynagar transformou as condições de vida de 298 famílias. Financiado parcialmente pelo governo indiano, o projeto envolveu os residentes em todas as etapas do planejamento e construção, desde a organização espacial até as personalizações das unidades habitacionais. 

A criação de pátios e espaços comuns fomentou a interação social entre a comunidade, enquanto o uso de telas de bambu e pérgulas trouxe elementos locais ao design.

Além disso, os profissionais envolvidos permitiram que os próprios moradores de Sanjaynagar contribuíssem para as decisões de projeto em diferentes escalas, incluindo na personalização de suas casas.

Transformando cidades para um futuro melhor

Como vimos, a arquitetura social e participativa nos mostra que é sim possível construir um futuro mais justo e inclusivo, onde todos possam habitar e se relacionar com o espaço urbano de forma digna e sustentável.

Ao combinar saberes da comunidade com novas tecnologias e o compromisso da sociedade, arquitetos e moradores juntos podem transformar as cidades em lugares onde todos tenham a oportunidade de prosperar.

A participação dos usuários em cada projeto não só cria um produto final mais adequado, mas também fortalece a comunidade ao longo de todo o processo. 

A arquitetura participativa, portanto, vai além da simples construção de moradias: ela transforma vidas e comunidades, promovendo um desenvolvimento urbano mais justo e inclusivo.

✅ Para mais conteúdos como este, acompanhe o blog da Sala de Arquitetos. Também fique de olho em nossas redes sociais e confira os eventos e novidades da Sala!